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Brasil

Apib pede ao CNJ apuração sobre afastamento de juiz indígena em SC

10 de agosto de 2026
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Apib pede ao CNJ apuração sobre afastamento de juiz indígena em SC
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BrasilYves Guachala fica afastado e responde a processo que pode resultar na perda do cargo. Entidade aponta plausível discriminação NCI/TJSCA Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) pediu ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que apure as circunstâncias do afastamento do juiz Yves Luan Carvalho Guachala, de ascendência indígena, lotado no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).

Guachala fica afastado das funções e responde a um processo disciplinar no TJSC. O caso envolve 14 condutas atribuídas ao magistrado e pode trazer a punições que vão de advertência à perda do cargo.

No mês de maio, o revelou que, durante a apuração interna, foram registrados depoimentos com referências à ascendência indígena, à aparência e até a hábitos pessoais do juiz. Entre os relatos, aparecem afirmações de que ele teria jeito de “traficante” e “levaria enquadro”, além de críticas ao fato de praticar exercícios físicos em locais públicos utilizando camiseta regata.

No documento enviado ao CNJ, a Apib defende que o magistrado sofreu discriminação por motivo de sua origem e também em razão de decisões tomadas enquanto atuava na comarca de Catanduvas, no interior de Santa Catarina.

do

Para a entidade, comentários sobre a aparência, a origem e a vida pessoal do juiz não têm relação com a análise de seu desempenho profissional.

A planejamento também levanta questionamentos sobre a maneira como os depoimentos foram obtidos. A apuração agrupou relatos sobre comentários que circulavam em Catanduvas.

Yves Luan Carvalho Guachala assumiu a comarca de Catanduvas em 2024. Um ano depois, o tribunal abriu uma apuração sobre sua atuação, com depoimentos de advogados e servidores públicos.

Segundo documentos do procedimento, advogados foram procurados para apresentar informações sobre o magistrado, e chegou a ser criado um formulário para unir reclamações. Os relatos tratavam de diferentes aspectos de seu trabalho, dentre eles decisões criminais, andamento de processos e relacionamento com profissionais que atuavam na comarca.

Em um dos depoimentos, uma advogada criticou decisões de Guachala relacionadas à soltura de suspeitos e, ao mesmo tempo, reclamou da pena aplicada a um cliente condenado por abuso sexual. Durante o relato, também fez referência à origem indígena do magistrado.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil afirma que decisões tomadas por Guachala no exercício do cargo passaram a ser usadas para questionar sua atuação como magistrado.

“Tais decisões, inaceitáveis para setores de uma comarca conservadora, motivaram um conluio explícito para sua remoção, tolerado e estimulado pelo TJSC”, diz o ofício da entidade dirigido ao CNJ.

A Apib pede que o Conselho Nacional de Justiça acompanhe o caso, examine possíveis práticas discriminatórias e garanta que testemunhas indicadas através da defesa sejam consideradas no processo.

A entidade também defende que o órgão adote “providências para coibir o uso de corregedorias locais como instrumentos de perseguição etno-ideológica e retaliação pelo estrito cumprimento da jurisprudência das Cortes Superiores”.

Em sua defesa ao TJSC, o juiz afirmou que um dos problemas da correição é que o processo iniciou sem objeto definido, com multiplicidade de assuntos coletados em depoimentos: supostos atrasos ou morosidade do juiz, extinção de ações de baixo valor, soltura de apreendidos ou falta de atenção a advogados.

Procurado através do no mês de maio, o tribunal informou que não comenta processos que tramitam sob sigilo e afirmou que rejeita qualquer forma de discriminação.

Com informações de Metropoles

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