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Brasil

Conheça a história do alpinista brasileiro que desafiou o Everest

30 de março de 2025
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Conheça a história do alpinista brasileiro que desafiou o Everest
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O alpinista Vitor Negrete foi um dos poucos brasileiros a alcançar o cume do Monte Everest, e o primeiro a fazê-lo sem oxigênio suplementar— um recurso essencial para confrontar as condições extremas das grandes altitudes. Seu feito histórico, no entanto, teve um desfecho trágico. Durante a descida, em 19 de maio de 2006, Negrete passou mal e não resistiu, morrendo a 8.300 metros de altitude, na montanha mais alta do mundo.

Nascido em Campinas, interior de São Paulo, Vitor Negrete era estabelecido em engenharia de alimentos através da Unicamp. Antes de se tornar um dos principais montanhistas do Brasil, realizou expedições desafiadoras, como a travessia da Amazônia de bicicleta e uma jornada sobre duas rodas até Ushuaia, na Argentina. Vitor também era pai de dois rapazes e marido.

Leon Negrete, seu primogênito, tinha somente dois anos quando Vitor morreu. No entanto, isso nunca o impediu de conhecer verdadeiramente a história do pai. Em entrevista ao Metrópoles, ele conta como Rodrigo Raineri, um alpinista que morreu depois de cair de parapente no Paquistão no ano passado, foi essencial para manter o legado de seu pai depois de o falecimento, em 2006.

“Para mim, o que representa Rodrigo e meu pai é o espírito de aventura. Eles eram pessoas apaixonadas por fazer e descobrir o impossível”, relata Leon.

A relação de Rodrigo e Vitor era de longa data. A dupla se conheceu na Unicamp, em 1988, e por anos se dedicaram a esportes que iam de pedaladas a escaladas, seja em rocha ou em gelo. Raineri estava no Monte Everest no dia em que Negrete morreu. Em entrevistas na época, ele dizia que se culpava.

 

“Eles não tinham ambições monetárias, ambições de fama, faziam aquilo porque queriam, porque era o que o coração deles mandava, e porque era o chamado que eles sentiam. Acho que é esse espírito de aventura, de descobrir o novo, de fazer o impossível que movia ambos”, descreve Leon.

A última expedição ao Everest

Vitor já havia chegado ao topo do Everest em 2005, utilizando oxigênio suplementar. No ano seguinte, decidiu tentar sem o auxílio do equipamento, em um desafio extremo para qualquer montanhista. A decisão fazia parte de seu projeto “Brasil no Topo”, que buscava inspirar outros brasileiros a explorarem o montanhismo.

No mês de maio de 2006, ele voltou ao lado de Rodrigo Raineri, onde caminharam para a última aventura da dupla. Na subida, Negrete confrontou temperaturas que chegavam a -40°C e níveis de oxigênio extremamente baixos. Conseguiu atingir o cume, mas a exaustão cobrou seu preço na descida. Ele foi descoberto em estado crítico, mas não conseguiu ser resgatado a tempo.

O corpo de Vitor Negrete permaneceu no Everest depois de sua morte, pois a família optou por não arriscar a vida de socorristas em uma missão de resgate. Apesar de a seguradora oferecer a possibilidade de repatriação, a decisão foi fazer o sepultamento na própria montanha, um local considerado sagrado pelos budistas. Negrete, que era espírita e tinha afinidade com crenças budistas, via o corpo como uma mera morada temporária para a alma, o que reforçou a aceitação da decisão.

Um legado de coragem

Atualmente, a história de Vitor Negrete continua inspirando novas gerações de montanhistas e aventureiros. Seu nome fica gravado entre os grandes exploradores do Brasil como um homem que viveu intensamente, sempre em busca de ver o mundo do topo.

Leon descreve o legado do pai como uma busca incessante através do impossível. “O objetivo deles era fazer o possível para descobrir o impossível”. Para ele, a montanha foi mais do que um desafio físico, e sim um amor profundo e duradouro.

“Uma vez que você conhece a montanha, uma vez que você se apaixona pela montanha, é difícil voltar atrás”, comenta Leon.

O legado de Vitor vai além de suas conquistas, é uma paixão que ainda ressoa entre aqueles que compartilham de sua visão do mundo.

Com informações Metropoles

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