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Brasil

Presidente do Ibama contraria parecer técnico sobre plano da Petrobras

24 de maio de 2025
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Presidente do Ibama contraria parecer técnico sobre plano da Petrobras
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O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho, aprovou, segunda-feira agora (19/5), o Plano de Proteção e Atendimento à Fauna Oleada (PPAF) para atividade na Foz do Amazonas, que fica na Margem Equatorial. A decisão, no entanto, contraria o parecer técnico da autarquia, ao qual o Metrópoles teve acesso, que aponta que o planejamento não soluciona problemas já indicados.

O PPAF da Petrobras faz parte do Plano de Emergência Individual (PEI) para a atividade de pesquisa marítima no Bloco FZA-M-59. O documento apresentado através da petroleira indica a criação de estruturas em Oiapoque e Vila Velha do Cassiporé, ambas no Amapá, além de embarcações especializadas e resgate aéreo de animais, com redução do tempo de transporte de 10 a 12 horas.

No entanto, a equipe técnica do Ibama pontua que o plano trabalha no limite das exceções previstas em manuais oficiais e que a efetividade do plano só será plausível de verificação através de simulações em campo.

Pressão do governo

O Ibama tem sido pressionado através do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para liberar a exploração na Foz do Amazonas. A expectativa da Petrobras é investir aproxamadamente US$ 3 bilhões entre 2025 e 2029 na Margem Equatorial, que vai do litoral do Rio Grande do Norte ao Amapá.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, por exemplo, já realizou críticas públicas a Rodrigo Agostinho, que tem contado com o suporte da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, para seguir as decisões técnicas da autarquia.

Apesar disso, Agostinho contrariou o parecer dos técnicos ambientais. Um dos pontos mostrados no documento dos empregados do Ibama indica que as ausências das Avaliações Ambientais de Área Sedimentar (AAAS) atrapalham o processo de licenciamento em regiões sensíveis como a Margem Equatorial.

Em 2016, pesquisadores de diferentes universidades brasileiras encontraram um conjunto de recifes na foz do Rio Amazonas. Ele se estende por aproximadamente 700 quilômetros, saindo do Maranhão e indo na direção à Guiana Francesa.

Ausência de soluções viáveis

Os técnicos do Ibama avaliaram que existe ausência de soluções viáveis de resgate de diversas espécies, incluindo algumas ameaçadas de extinção, “o que poderá resultar em perda maciça de biodiversidade em caso de vazamento de óleo, levando estes animais à morte”, diz segmento do documento ao qual o Metrópoles teve acesso.

Os técnicos ainda avaliaram que existe riscos elevados de mortalidade de fauna, caso haja um vazamento de óleo.

Apesar do parecer contrário, Rodrigo Agostinho decidiu por aprovar o estudo da Petrobras. Agora, o próximo passo será fazer simulações em campo para verificar a eficácia das medidas apresentadas.

O Metrópoles dialogou com integrantes do Ibama que afirmaram que a posição dos técnicos da autarquia ainda é contrária à exploração na Foz do Amazonas. No entanto, pontuam que a pressão política tem funcionado e o Ibama tem caminhado para liberar a atividade.

A reportagem entrou em contato com o presidente do Ibama, e aguarda uma resposta.

Com informações Metropoles

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