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Brasil

Realidade se impõe e desgasta relações de Lula com Maduro e Ortega

11 de agosto de 2024
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Nas últimas semanas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se viu envolto em crises que envolvem velhos apoiadores. O episódio mais recente, com o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, resultou na expulsão mútua de embaixadores dos países onde atuavam.

Ao mesmo tempo, o chefe do Executivo tenta mediar a situação na Venezuela, tensionada por uma eleição contestada.

O conflito com Ortega acirrou quando o governo nicaraguense determinou a expulsão do embaixador brasileiro, Breno de Souza Brasil Dias da Costa, do país. O motivo teria sido a ausência do diplomata no acontecimento comemorativo dos 45 anos da Revolução Sandinista, celebrada em 19 de julho.

Em um ato de reciprocidade, o Itamaraty anunciou a expulsão de Fulvia Patrícia Castro Matus, representante da Nicarágua no Brasil.

O episódio aprofunda a crise na relação entre Lula e Ortega, que já vinha sofrendo desgastes desde o ano passado. Ambos mantinham uma relação de proximidade. O petista finalizou se afastando depois de as sucessivas denúncias de violações de direitos humanos no país.

No mês de abril, o Brasil congelou as relações com a Nicarágua através do momento de um ano em retaliação à prisão de padres e bispos no país. Já no mês de junho, o governo brasileiro endossou uma declaração da Planejamento dos Estados Americanos (OEA) com críticas ao país, por motivo da deterioração da democracia.

Venezuela

Já em relação à Venezuela, a crise se instalou em meio às eleições presidenciais que deram vitória a Nicolás Maduro, conforme com o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do país, órgão presidido por apoiadores do presidente. Lula e o venezuelano eram apoiadores de longa data. No entanto, o presidente brasileiro iniciou a se afastar de Maduro semanas antes da eleição no país vizinho.

Um marco do distanciamento foi a fala do venezuelano de que, se perdesse, haveria um “banho de sangue” no país. O petista se falou “assustado” e o mandatário da Venezuela sugeriu um “chá de camomila” para o brasileiro.

Depois de o pleito, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e Celso Amorim, assessor especial de assuntos internacionais da Presidência, optaram por uma linha de “cautela” e, até o momento, o governo brasileiro impede reconhecer a vitória de Maduro.

Isso porque a posição é de esperar as atas eleitorais para confirmar a eventual reeleição do venezuelano. O posicionamento é reforçado por Lula e ministros, como Rui Costa, da Casa Civil.

Maduro chegou a pedir uma ligação ao chefe do Executivo brasileiro, mas Lula tem defendido que só falará com o homólogo em conjunto com os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, e do México, López Obrador. Os três estão empenhados em encontrar uma solução para o conflito.

Apesar disso, Lula afirmou não enxergar “nada de anormal” e acusou a imprensa de tratar a situação “como se fosse a Terceira Guerra Mundial”. “Não tem nada de grave, nada de assustador”, disse sobre a eleição na Venezuela.

Com informações Metropoles

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